quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Anjos de Jaleco

Uma vez mais aqui, na Área B do Hospital Universitário, meu coração que não é de papel, se compadece, chega a ficar pequeno frente tamanha dedicação, humanidade, carinho...
Minha ridícula face material, mesmo na hora de calar, se manifesta e faz lembrar que todos eles, digo todos, desde as moças que limpam, as dedicadas enfermeiras doa plantões, até o médico chefe, todos ganham um salário de fome, e ainda assim, chegam cedo, com um sorriso, afagam o corpo inerte de pessoas que esperam seu momento de parar de sofrer...
Sem preguiça, sem mau humor, sem reclamações, exercem um ofício que nem de longe é para qualquer um...
E de novo fico pequena, lembro das reclamações estupidas de quem na verdade não conhece esse cansaço, e chora de barriga cheia, como eu, como tantos...
Lembro do quanto somos egoístas e desses profissionais que só pensam no dinheiro, como eu, como tantos, e me vejo meio que sem ofício, pois para fazer no que eles fazem tem que AMAR, amar o que faz, amar o próximo e se amar, acho que falta AMOR, sim, falta amor....